Como é ser líder na pandemia?

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Por Rafael Jeronymo

Atualizado em 10/02/22

Era Janeiro de 2020 e eu estava em uma posição relativamente confortável na área de estratégia como 6 Sigma Black Belt. Já havia conduzido dezenas de projetos/equipes e com isso adquiri certa habilidade na função. Nessa ocasião já se ouvia falar sobre COVID-19, mas as informações sobre a doença ainda eram indefinidas tanto é que a OMS declarou pandemia em 28 de janeiro de 2020. Enquanto tais incertezas prevaleciam, me surgiu a oportunidade de liderar uma equipe na operação de fábrica. TOPEI e desde então liderei a equipe na linha de frente durante a pandemia, afinal a Caterpillar é uma indústria essencial e seus produtos permitem que o mundo continue funcionando.

Agora, depois de quase 2 anos nesse cenário, parei para refletir um pouco e compartilhar alguns aprendizados como líder:

APRENDI QUE…

A EQUIPE É MAIS RESILIENTE DO QUE EU ACREDITAVA QUE FOSSE: Uma das coisas que sempre monitorei de perto foi como eu, enquanto líder, não ser o gargalo no desenvolvimento da equipe. Por isso, sempre desafiei o time a pensar e trabalhar de forma diferente, aprendendo coisas novas e evoluindo para entregar melhores resultados na empresa e na vida pessoal também. Isso foi posto à prova no início da pandemia quando algumas pessoas precisaram ficar em casa por serem do grupo de risco, outros se ausentavam por apresentar sintomas e isso elevou drasticamente o absenteísmo chegando em momentos onde não tínhamos 1/3 do time na planta, afinal nossa prioridade número 1 é cuidar das pessoas.

Ao mesmo tempo, os que permaneceram usaram novos equipamentos de proteção e incorporar rotinas de higiene para evitar a contaminação e como se não bastasse, enfrentamos forte instabilidade na cadeia de suprimentos. Com todos esses desafios impostos, a equipe se desdobrou com novas iniciativas e abordagens (que nem mesmo cogitava) criando e executando ações que mantiveram os resultados em alto nível demonstrando forte resiliência diante das adversidades do mundo VUCA/BANI, e o mais importante: Se mantendo saudáveis.

A COMUNICAÇÃO É UMA PODEROSA FERRAMENTA DE ENGAJAMENTO: O COVID-19 trouxe consigo muitas incertezas e com a economia não foi diferente. O mercado financeiro reagiu negativamente e a preocupação sobre os reflexos na rotina de trabalho foi imediato, afinal como ficariam os volumes de produção e os empregos a partir dali? Percebendo a apreensão do time, adotei uma postura de total transparência compartilhando o máximo de informação que era possível ser dividido. Sempre que havia uma nova definição, rapidamente reunia o time e esclarecia as coisas evitando ruídos. Além disso, os feedbacks sobre comportamento e desempenho ocorreram praticamente no momento em que os eventos aconteciam. Desta forma, a pressão sobre o time foi sendo aliviada e criou-se um ambiente de confiança onde enfrentamos o indefinido juntos, afinal os líderes e funcionários tem suas preocupações, e resolver isso em conjunto é muito mais fácil

EMERGÊNCIAS NÃO DEVEM DOMINAR A AGENDA: Quando se trabalha em um cenário de incertezas, é natural termos que “apagar incêndios” com maior frequência, e diante disso somos tentados a deixar de lado as atividades tático-estratégicas de médio e longo prazo. Por isso, o PML (PLANEJAMENTO > METODOLOGIA > LIDERANÇA) funcionou bem pra mim.

PLANEJAMENTO: Entender a visão da empresa e cascatear a estratégia até chegar onde temos ação do time. A principio parece fácil, mas para se ter alinhamento e priorização entre as áreas é um belo desafio, afinal os recursos são escassos. Por isso, usamos algumas ferramentas do Hoshin-Kanri para definimos onde estávamos, onde queríamos chegar e o que precisávamos fazer para ir até lá. Com o plano definido, usamos METODOLOGIAS diversas que nos ajudaram a estabelecer um processo padrão de como as tarefas são feitas. Dentre elas, usamos várias do Lean como: Value Stream Transformation, Root Cause & Corrective Action, Kanban e outras incontáveis ferramentas do 6 Sigma para transformar dados em informação. Desta forma, garantimos que cada um dos funcionários e áreas usassem as mesmas abordagens quando as situações aconteciam, afinal nossa rotina de trabalho se resume na repetição de algumas dezenas de circunstâncias que podemos padronizar sua resolução. E por último e essencial: A LIDERANÇA, pois monitorar os resultados, fazer ajustes e dar o correto direcionamento para a equipe é crítico para alcançarmos o estado futuro.

UMA EQUIPE AUTÔNOMA TEM MAIOR CAPACIDADE DE ENTREGA: Ao observar os ambientes de trabalho tenho visto que estamos no meio de uma transição entre “controle-comando” de hierarquia verticalizada para um ambiente mais autônomo e horizontal. Isso quer dizer que o líder deve estar preparado para distribuir autonomia, poder e responsabilidade para seus times. Sendo assim cada um sabe o que fazer, como agir quando problemas acontecem e como o ambiente de trabalho pode ser melhorado com a visão de quem executa. Resultado: A equipe se sente mais confiante e engajada para realizar atividades mais nobres nos seus níveis de responsabilidade e o líder libera sua agenda para trabalhar no desenvolvimento do time e no médio-longo prazo.

FOCO NAS PESSOAS QUE O TRABALHO SERÁ FEITO: optei deixar este tópico por último porque acredito sinceramente que ele é o mais importante, e eu levei bastante tempo para entender/praticar isso. Quando a relação entre líder e equipe é construtiva e pautada nos temas que tratei nos 4 tópicos anteriores o resultado é: Alta performance. Por isso, aprendi na prática que as pessoas são os motores de uma organização e quando elas se sentem respeitadas, ouvidas e principalmente valorizadas, o bom resultado é consequência.

Enfim, entendo que não existe receita ideal de liderança seja em tempos normais ou de pandemia, mas esses foram alguns dos pontos que aprendi e quis compartilhar. Acredito piamente que cada vez mais as soft skills serão importantes para quem gerencia pessoas, por isso, preparar uma nova geração de líderes com essas habilidades é fator crítico de sucesso, e precisamos canalizar atenção e tempo nesse desenvolvimento.

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